

Foi exactamente daqui que tirei estas pérolas ( pra mim)."Sem utilizar um discurso sobre questões sociais, sugere, no entanto, num ângulo da tela, uma referência ao mundo que podia existir mas que não existe, a um mundo de paz e amor para todos os povos, independentemente da raça e da religião.
As mulheres fortes são as verdadeiras estrelas dos seus quadros, e são mulheres fortes e saudáveis, não uma simples quimera, mas mulheres bem reais que cantam, escrevem ou trabalham no campo.
Carmo cria uma imagem popular da vida porque ele ama a celebração da vida, fazendo-o em tons frutados, ricos de seiva. Tanto na serigrafia como na pintura, as histórias que nos conta são as mesmas, prenunciando-nos na Primavera, como um desejo ou uma oferenda, o Verão esplendoroso que se avizinha."
"Íntimos movimentos da alma contagiando as árvores, o sol, o fogo e os rios, o fogo dos rios, o sol das árvores. Mágica, redonda comunhão. O mundo é uma cúpula de alegrias e coloridos segredos da terra. Terra fértil, feminina, primaveril, oferecendo os seus gomos sumarentos, as suas veredas salpicadas de sol, as suas florestas povoadas de pássaros, os rubros fulgores dos seus incêndios. Terra que imita os gestos dos amantes e das raparigas preguiçando, embaladas pela luz e a cálida aragem".
São estes motivos, mais alguns que daqui não constam, que me levaram a apaixonar-me de imediato pela pintura de António Carmo.