sexta-feira, junho 13

CIRCUNSTÂNCIAS IV

( Desfazer das novas estruturas agrícolas populares do Alentejo.
É preciso repovoá-lo de fantasmas que não protestem. Para o passado voltar a devorar as rendas em sossego e caçar perdizes....)

Nunca ouvi um alentejano cantar sózinho
com egoísmo de fonte.
Quando sente voos na garganta,
desce ao caminho
da solidão do seu monte,
e canta com a família do vizinho.

Não me parece pois necessária
outra razão
- ou desejo
de arrancar o sol do chão -
para explicar
a Reforma Agrária
do Alentejo.

É apenas um certa maneira de cantar.
( De poeta militante) José Gomes Ferreira

2 comentários:

sousa disse...

tenho uma lágrima no canto do olho...
"O sonho germinou nas andanças da História, na gestação e no embate de classes. Tomou corpo ao longo dos séculos, no antagonismo irredutível de senhores e escravos, ...
Reforma Agrária, conquista mais bela da gesta de Abril. Papoila imperecível da Revolução,sonho milenário dos explorados do campo. ...
inicio dos parágrafos de abertura e encerramento do testo de apresentação do álbum de homenagem do PCP á Reforma Agrária obra editada no IV Congresso, vale a pena recordar pois começa com esse lindo poema.
Abreijos moça de Abril.

XICA disse...

A estas horas da madrugada e depois de Martinho da Vila, um mimo e tanto, AMIGO.
Este poema e o sonho que ele encerra foi retirado de uma antologia de Eugénio de Andrade, algo de maravilhoso, poemas só do Alentejo, vários poetas, vários homens com um mesmo sonho....