quarta-feira, junho 10

CAMINHADA


O exercicio de leitura tem que constituir um prazer e não uma obrigação.
As palavras são bebidas com a ânsia e o prazer que a vontade de saber e conhecer impõem, assim percorro as páginas do " Meditação descontínua sobre o envelhecimento" do Miguel Urbano Rodrigues.
As palavras soltam-se e tocam-nos o olhar, é como se ao escrever nos contasse pessoalmente a história da sua vida , as viagens pelo mundo que traz no brilho do olhar e exposto na palma da mão aberta para todos os que com ele convivem quando o tempo lho permite.
É a pequenez do universo versus a grandiosidade do conhecimento de um revolucionário com muitas paixões, fala de duas delas em particular com emoção e garra, América Latina e o Oriente Islâmico.
Um homem de sonhos e como revolucionário que é, poderá não dizer sempre o que pensa, mas não mente quando assume que Amor e Revolução são duas coisas que estão intrinsecamente ligadas - não concebe não lutar pela revolução da mesma forma que não concebe não lutar pelo amor.
Não acredita na rápida transformação do ser humano, mas acredita num homem novo onde as circunstâncias históricas permitam revelar o que tem de bom em detrimento do lado mau, acredita sobretudo na atenuação das disparidades existentes no mundo, numa melhor distribuição da riqueza que agora está concentrada em meia duzia de Bill Gates do universo, quando a restante população se encontra no limiar da pobreza sem um básico sequer para a sobrevivência.

" Escrever foi para mim uma exigência existencial. Equiparo a escrita a um parto, como fonte de sofrimento de que brota a escrita humana e gera, portanto, felicidade".
Miguel Urbano Rodrigues